Hoje vamos abordar o tema do Modelo de Jogo na Carreira de Treinador que é a FORMA como um treinador joga o jogo de chegar à sua posição ou função de treinador num clube ou projeto.

A este modelo vamos tratar de Modelo da Carreira do Treinador e é a aplicação deste modelo que irá permitir ao treinador entrar numa equipa para conseguir aplicar as suas ideias e ideais através do seu modelo de jogo.

É por isto que Modelo de Carreira de Treinador pode fazer a Diferença?

No último post sobre a Construção de um Modelo de Jogo (para ver clicar aqui), falei que muitos treinadores constroem o seu modelo de jogo que contém as ideias esquematizadas da forma como querem que as suas equipas joguem.

Mas muitos deles ficam de fora, porque a procura (número de treinadores) é maior do que a oferta (número de clubes), não podendo utilizar o seu modelo de jogo, nem fazer evoluir na prática as suas ideias, por falta de operacionalização (colocar em prática através do modelo de treino), nem adaptar aos seus contextos e às características dos jogadores que não têm.

 

Portanto, chegamos à conclusão que antes de colocar em prática o modelo de jogo é necessário saber também a FORMA como o treinador tem de jogar o jogo de chegar à sua posição ou função de treinador, num clube ou projeto desportivo.

Nas sessões de coaching que realizo com treinadores de várias hierarquias desde a formação à alta competição, verifiquei a existência de algumas ideias que bloqueiam a construção deste modelo por parte dos treinadores.

Mas antes de partilhar isto contigo, quero dizer-te que quando analiso a diferença na mentalidade e na forma de estar de quem chega a equipas de altos níveis de rendimento e os treinadores que estão bloqueados em equipas, onde não querem estar, mas que tiveram que escolher por não ter mais nada, ou aqueles que ficaram de fora, o que descubro e continuo constantemente a verificar é a existência deste Modelo de Carreira.

Quando Implementar o Modelo de Carreira de Treinador?

Ao que parece, ter este modelo implementado antes, e durante a época e não após a época terminar, é o que faz a grande diferença entre os treinadores que sobem constantemente de nível ou escalão ou divisão, dos que estagnam, dos que têm de aceitar qualquer coisa e, dos que ficam de fora.

E porquê antes e durante a época e não após esta terminar?

A aquisição de um treinador na mente dos diretores acontece durante o ano, mas a decisão acontece no final da época. Portanto, existem diferentes momentos na mente do diretor:

  • de aquisição;
  • de decisão;

Conhecer essas fases e como influenciar cada uma é o que os treinadores com as equipas que querem, fazem. Por exemplo, na 1ª fase temos de usar um tipo de interruptores mentais (são formas de influenciar e atrair a atenção) e na 2ª fase, temos de usar outros. Saber usá-los em sequência e pela ordem certa.

Por exemplo, na 1ª fase temos de usar a: prova (micro-resultados específicos) e na 2ª fase, temos de usar a urgência (criar um cenário de ação rápida para decidir por ti). Isto poderá ser, e será certamente um assunto para outros posts. Mas reforçando a ideia, conhecer essas fases e como influenciar cada uma é o que os treinadores com as equipas que querem, fazem.

Mesmo às vezes, a maioria destes treinadores não sabe que o faz. Isto pode ser ainda outro problema, o não saber como o fez, porque a inconsciência do que deu resultado, e aqui, dar resultado significa ter conseguido influenciar um diretor a escolher-te, faz com que numa época funcione, mas noutra não.

É por isso que a implementação consciente deste modelo, todos os anos, é fundamental para os treinadores que são profissionais, ou que ganham mais dinheiro na formação, conseguirem manter-se de época para época ou conseguirem aumentar o seu ordenado e o seu lucro de ano para ano. E não esperar que no final da época o diretor se decida se quer manter ou se vai trocar de treinador.

 

Mas Carlos, quais são as ideias que bloqueiam a maioria dos treinadores a ter um Modelo de Carreira e criam a diferença entre quem chega a equipas de altos níveis de rendimento e os treinadores que estão bloqueados em equipas, onde não querem estar, mas que tiveram de escolher por não ter mais nada, ou aqueles que ficaram de fora?

A primeira e mais poderosa ideia bloqueadora é de que não têm controlo sobre a escolha do diretor cair ou não sobre si mesmo. Uma segunda e que abordarei num outro post, é sobre aquilo a que chamamos de “cunha”.

Aqui o único problema é o onde está o foco do treinador. Deixa-me ser mais explícito. O treinador tem o foco naquilo que é a decisão do diretor, e isso ele não controla. O treinador não controla a forma de pensar do diretor, não controla a decisão, não controla a forma como o diretor recebe contatos, não controla vários aspetos.

Normalmente faço uma pergunta à maioria dos treinadores estavam em clubes amadores ou a ganhar menos e que trabalharam diretamente comigo (antes de estarem nos clubes profissionais a que chegaram por passarem a ter um modelo): o que te impede de estar JÁ na 1ª liga? E a resposta são quase sempre as mesmas:

Carlos, eu não posso fazer nada em relação a isso, porque são os diretores que decidem.

E a verdade é essa! Eles não podem fazer nada sobre a decisão. E não podem porque a decisão já foi tomada. O foco está na decisão tomada. E está naquilo que não controlam. E geralmente faço uma segunda pergunta:

O que fazes tu neste momento para que eles decidam por ti?

Esta pergunta tem amigos e inimigos. Os inimigos são os treinadores que ouvem esta pergunta como uma afronta. Como se eles tivessem de ter feito alguma coisa e não fizeram.

Na generalidade, estes treinadores acreditam que não têm de fazer nada, porque os diretores é que têm de vir ter com eles. E parece que já os estou a imaginar, senhores do sofá, sentados à espera que lhes liguem a perguntar se querem “pegar” na equipa e ganhar milhares de euros, ou “abraçar” um novo projeto de formação.

Estes treinadores têm a ideia de que nada podem fazer, que se fizerem alguma coisa para influenciar a decisão, poderão ser escolhidos não por competência, mas por “cunha”. E talvez por isso, quando alguém entra no projeto que eles aspiram, são os primeiros a dizer… “foi por cunha”. E está tudo bem. É uma forma de pensar que leva a um resultado. Possivelmente ao resultado de estarem em equipas que não querem, ou de nem ter equipas para treinar. E está tudo bem, se for este resultado a que esses treinadores aspiram.

O que não está bem, é haver treinadores que quererem um resultado diferente usando a mesma estratégia continuamente.

 

E depois há os amigos da pergunta: o que fazes tu neste momento para que eles decidam por ti?

Os amigos desta pergunta, são aqueles que descobrem pela primeira vez que eles podem sair da zona de impotência, da zona de falta de controlo, da zona de espera, para a zona de procura, para a zona de poder e para a zona de controlo. Existe como que uma descoberta, porque a pergunta não tem nenhum sentido de acusação.

A pergunta tem um sentido de responsabilidade. Deixa-me dar-te um exemplo muito claro sobre isto.

Nenhum treinador tem controlo sobre o resultado do jogo, no final do jogo, certo?

Claro está, que se tiveres formas manipulação das regras e da ética desportiva, conseguirás ter esse controlo, mas não é disso que estamos a falar.

Qualquer treinador pode definir a decisão final do resultado? Definir pode, pode definir que quer ganhar, mas não pode decidir que o resultado será a vitória. Se não, não haveriam as milionárias casas de jogo virtuais de apostas em resultados desportivos. Mas então o que é que o treinador faz? Faz:

  • um modelo de jogo,
  • um modelo de treino,
  • um modelo de análise ao adversário,
  • um modelo de análise à própria equipa,
  • tem um departamento médico para acelerar as recuperações de lesões e
  • muitas outras coisas…

Mas o que ele faz, é focar-se naquilo que ele controla. Focar-se no modelo de jogo é focar-se na FORMA como ele quer que os atletas influenciem o jogo para que a decisão final caia sobre a vitória.

Os amigos da pergunta: o que fazes tu neste momento para que os diretores decidam por ti?

São os treinadores que descobrem que não podem decidir por si mesmos para serem o treinador, mas podem focar-se no modelo de carreira, porque estão a focar-se na FORMA como querem influenciar o jogo de decisões do diretor para que a decisão final caia sobre si, e haja uma vitória em relação a outros profissionais na conquista do lugar.

O que é o Modelo de Carreira de Treinador?

Então para quebrar a primeira ideia bloqueadora é assumir o controlo daquilo que têm controlo, ou seja, de que podem ter um conjunto de ações que caracterizam o Modelo de Carreira de Treinador, isto é:

» um conjunto de ações organizadas e direcionadas, realizadas de forma constante e quase que automatizada, para influenciar as decisões dos diretores das equipas onde eles querem entrar.

 O que o Modelo de Carreira não é? O Modelo de Carreira:

  • não é uma forma manipuladora de provocar chantagens aos diretores, de ganhas isto se me deres aquilo;
  • não é arranjares um agente desportivo que está parado e não faz nada por ti;
  • não é apareceres nos jogos em que uma equipa está frágil de resultados e fazeres-te aos diretores;
  • não é ligares aos diretores a oferecer-te e dizer que estás totalmente disponível para começar;
  • não é ofereceres-te sem um valor financeiro, isto é, de forma gratuita só para entrares no lugar de outro treinador que iria ser remunerado;
  • não é espetar a “faca” aos colegas treinadores da equipa técnica para ficar com o lugar deles, falando mal nas costas.

Não é nada disto que estamos a falar quando falamos em Modelo de Carreira de Treinador. O Modelo de Carreira de Treinador é um conjunto de técnicas para cada uma das fases de relação com os diretores. É:

  • a FORMA como o treinador se posiciona no mercado competitivo dos treinadores,
  • a FORMA como ele define quais sãs as equipas que estão mais adequadas às suas caraterísticas,
  • a FORMA como ele monta uma lista de contatos,
  • a FORMA como os realiza, a FORMA como fala com os diretores,
  • a FORMA como consegue ou não fazer uma reunião,
  • a FORMA como consegue adequar as suas ideias às necessidades do clube,
  • a FORMA como ele prova do que é capaz,
  • a FORMA como ele continuamente se mantém a relacionar com os diretores,
  • a FORMA como gere uma proposta, como a negoceia e como influencia as decisões durante a conversa, através de técnicas, e falta de técnicas não há, aliás existe mesmo um curso só para isto, o profissaotreinador.com, que ajuda treinadores a montarem o seu modelo de carreira.

Mas se fores adjunto, sem ser da “casa”, ou seja, um adjunto que procura entrar numa equipa técnica através do treinador principal, podes ver o Modelo de Carreira de Treinador como

  • a FORMA como o treinador adjunto se posiciona no mercado competitivo dos treinadores com várias especializações,
  • a FORMA como ele define quais sãs as equipas e os treinadores principais que estão mais adequados às suas caraterísticas,
  • a FORMA como ele monta uma lista de contatos de treinadores principais,
  • a FORMA como os realiza,
  • a FORMA como fala com os treinadores principais,
  • a FORMA como consegue ou não fazer uma reunião,
  • a FORMA como consegue adequar as suas ideias às necessidades do treinador principal,
  • a FORMA como consegue provar do que é capaz,
  • a FORMA como ele continuamente se mantém a relacionar com os treinadores,
  • a FORMA como gere uma proposta, como a negoceia e como influencia as decisões durante a conversa, através de técnicas, e falta de técnicas não há.

Como se constrói então um Modelo de Carreira de Treinador?

Tal como falamos no post anterior, como se constrói um modelo de jogo, vamos definir um conjunto de passos para construir um modelo de carreira de treinador.

 

1. Posicionamento

O primeiro passo de todos é o POSICIONAMENTO.

Qual o teu posicionamento no mercado competitivo?

Qual o posicionamento que as pessoas do contexto onde estás, assumem que tu ocupas?

Tr. Principal, adjunto, físico, comportamental, guarda-redes… E qual o nível, escalão, divisão?

 

2. Método

Qual é o método que tu usas?

Para o Posicionamento que tu escolheste precisas agora de um método que te dê segurança. Saber construir um método desde o início da época até atingir os resultados a que te propões é fundamental para conseguires provar as tuas capacidades.

3. Reuniões

O 3º passo são as REUNIÕES.

Agora que tens um posicionamento e um método, quais os contatos que vais fazer?

Preparei uma aula online e gratuita para teres acesso a como se faz (clica aqui). Como contatas pessoas que já conheces, para te darem uma oportunidade? E como fazes para não te venderes? Como conseguir propostas sem te venderes? E como contatas pessoas que não conheces até serem elas a convidarem-te?

4. Provas

O 4º passo são as PROVAS.

(informação retirada do site: https://globoesporte.globo.com/futebol/futebol-internacional/futebol-ingles/noticia/colecionador-de-recordes-pep-guardiola-poe-mais-oito-marcas-na-conta.ghtml).

Depois de teres um posicionamento claro, construíres um método para esse posicionamento, saberes quais os resultados que tens de atingir através das reuniões… é hora de entrares em ação e construíres as provas irrefutáveis de que o teu sistema funciona para que mais clubes te procurem e aumentes a tua capacidade de gerar propostas cada vez mais altas.

As provas têm de ser evidentes para o posicionamento que escolheste.

 

Claro que estas provas que apresentei aqui são do Treinador Guardiola e que foram resultados que não são acessíveis para todos.

Mas isso é pouco relevante, porque o que estamos a tratar é da estrutura. Guardiola também tem um posicionamento que está descrito na imagem. Treinador para Equipas que querem ser campeãs, mas principalmente que querem bater records. Há treinadores que têm um posicionamento para ser campeão ou ganhar títulos, como Mourinho, e as provas que ele apresenta são diferentes, provavelmente ter sido campeão em Portugal, Inglaterra, Itália, Espanha, são provas que fazem com que clubes que querem ser campeões, o contratem.

Provavelmente clubes diferentes do que contratariam Guardiola, porque Mourinho é mas pragmático, Guardiola é mais espetáculo.

E está tudo bem. São apenas posicionamentos diferentes para diferentes estilos de comunicação e liderança.

Estes 4 quatro passos estão mais aprofundados num ebook que criei e que disponibilizo online e gratuito no site: www.treinadorpro.com. O que vimos aqui, foi um passo a passo, de como o treinador consegue fazer-se notar aos diretores ou treinadores principais (se for adjunto), para que possam entrar na lista de opções para a decisão final de entrar na equipa técnica ou num clube/ projeto desportivo.

Cada um desses passos precisa de técnicas específicas e eficazes que ajudem o treinador a chegar mais perto e a criar relações de confiança com as pessoas que pretende influenciar.

 

É por isso que o treinador não pode investir todos os seus recursos financeiros e temporais em aprender sobre modelo de jogo, pois precisa de equilíbrio e de investir também nos outros modelos (falamos nisto no post anterior, clica aqui) que irão trazer mais suporte e estabilidade à sua posição e função como treinador.

E com essa estabilidade, trazer então a base para aplicar o modelo de jogo, as suas ideias, os seus ideais e realizar-se ao aplicar as suas ideias através da competição.

Por o treinador precisar de trabalhar em várias áreas distintas, vamos partilhar semanalmente conteúdos para estas 4 áreas, desde

  • modelo de jogo,
  • modelo de treino,
  • modelo de análise de adversários,
  • preparação física,
  • métodos de treino,
  • métodos de influência,
  • métodos de contacto,
  • métodos de liderança,
  • comunicação entre muitos outros temas.

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Um abraço,

Carlos MSilva | TreinadorPRO.com